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Doença Renal Crônica em Gatos: Sintomas, Estágios e Tratamento

  • Foto do escritor: Equipe MedCani
    Equipe MedCani
  • 14 de jul. de 2024
  • 7 min de leitura

Atualizado: 1 de jul.

A doença renal crônica (DRC) é uma das condições mais comuns e graves em gatos, especialmente naqueles com mais de 7 anos de idade. Estudos mostram que 1 em cada 3 gatos acima de 12 anos desenvolve algum grau de insuficiência renal. Apesar de não ter cura, o diagnóstico precoce e o tratamento adequado fazem toda a diferença na qualidade e no tempo de vida do seu felino.


Se o seu gato está bebendo mais água que o normal, urinando com frequência, perdendo peso ou vomitando, pode ser sinal de doença renal. Neste guia completo, você vai entender os sintomas, os estágios da DRC pela classificação IRIS, como é feito o diagnóstico e quais tratamentos estão disponíveis.



O que é a Doença Renal Crônica em Gatos?

Os rins dos gatos têm funções vitais: filtrar toxinas do sangue, regular o equilíbrio de líquidos e eletrólitos, controlar a pressão arterial e produzir eritropoetina — o hormônio que estimula a produção de glóbulos vermelhos. Na DRC, essa capacidade é perdida de forma progressiva e irreversível ao longo do tempo.


Um dado importante: os sintomas visíveis só aparecem quando cerca de 70% da função renal já foi perdida. Por isso, quando o tutor percebe que algo está errado, a doença geralmente já está em estágio intermediário ou avançado — o que reforça a importância de exames preventivos regulares para gatos com mais de 7 anos.



Sintomas da Doença Renal Crônica em Gatos

Os sinais variam conforme o estágio da doença. Nos estágios iniciais, a DRC é praticamente silenciosa. Com a progressão, os sintomas se tornam cada vez mais evidentes e impactam a qualidade de vida do animal.


Sintomas iniciais (estágios 1 e 2)

  • Aumento da ingestão de água (polidipsia)

  • Aumento da produção de urina (poliúria)

  • Perda de peso gradual

  • Leve redução do apetite


Sintomas em estágios avançados (estágios 3 e 4)

  • Vômitos e náuseas frequentes

  • Hálito com odor de amônia (hálito urêmico)

  • Perda de peso acentuada e fraqueza muscular

  • Letargia, apatia e desinteresse pelo ambiente

  • Pelagem opaca e ressecada

  • Anemia (mucosas pálidas, fraqueza intensa)

  • Hipertensão arterial — pode causar cegueira súbita por descolamento de retina



Raças de Gatos Mais Predispostas à Doença Renal Crônica

Embora qualquer gato possa desenvolver DRC, algumas raças têm predisposição genética maior. Se o seu gato é de uma dessas raças, converse com o veterinário sobre rastreamento genético e monitoramento preventivo:


  • Persa — predisposição à doença renal policística (PKD), causada por mutação do gene PKD1

  • Maine Coon — risco elevado de PKD

  • Siamês — maior risco de amiloidose renal

  • Abissínio — predisposição à amiloidose

  • Ragdoll e British Shorthair — podem carregar mutação do gene PKD1



Causas da Doença Renal Crônica em Gatos

  • Envelhecimento natural dos rins (causa mais comum em gatos adultos e idosos)

  • Predisposição genética e hereditária

  • Infecções urinárias de repetição

  • Hipertensão arterial crônica

  • Doenças imunomediadas como glomerulonefrite

  • Exposição a toxinas — lírio, ibuprofeno, anticongelante e alguns antibióticos

  • Desidratação crônica

  • Dieta com excesso de fósforo e proteínas de baixa qualidade



Como o Veterinário Diagnostica a Doença Renal Crônica?

O diagnóstico precoce é fundamental e envolve um conjunto de exames que avaliam diferentes aspectos da função renal. Veja o que o veterinário vai solicitar:


Exames de sangue

  • Creatinina: marcador clássico da filtração glomerular — eleva-se quando mais de 75% da função renal foi perdida

  • Ureia (BUN): avalia a excreção de resíduos nitrogenados

  • SDMA (Dimetil Arginina Simétrica): marcador mais sensível — detecta a DRC quando apenas 25% da função foi perdida, anos antes da creatinina se alterar

Exame de urina (urinálise)

  • Densidade urinária: urina muito diluída indica que os rins não conseguem mais concentrá-la adequadamente

  • Proteinúria: presença de proteína na urina indica dano à barreira de filtração glomerular

Exame de imagem

Aferição de pressão arterial

  • Hipertensão é frequente na DRC e pode acelerar a progressão da doença. Veja mais sobre monitoramento em nossa página de Cardiologia Veterinária — pode ainda causar cegueira súbita por descolamento de retina.



Estágios da DRC em Gatos — Classificação IRIS

A International Renal Interest Society (IRIS) classifica a DRC em 4 estágios com base nos níveis de creatinina e SDMA, guiando o tratamento e o prognóstico:


Estágio 1 — Não azotêmico

Creatinina: < 1,6 mg/dL | SDMA: < 18 µg/dL. Os rins já estão afetados, mas a função ainda é compensada. O diagnóstico só é possível pelo SDMA, pela urinálise ou por alterações na ultrassonografia. Tratamento: monitoramento, hidratação e dieta de qualidade.


Estágio 2 — Azotemia leve

Creatinina: 1,6 – 2,8 mg/dL | SDMA: 18–25 µg/dL. Sintomas discretos ou ausentes. Tratamento: dieta renal terapêutica, hidratação, controle de fósforo e pressão arterial. Consultas a cada 3 a 6 meses.


Estágio 3 — Azotemia moderada

Creatinina: 2,9 – 5,0 mg/dL | SDMA: 26–38 µg/dL. Sintomas evidentes: poliúria, polidipsia, vômitos, perda de peso e fraqueza. Tratamento intensivo com dieta renal, medicamentos e fluidoterapia. Consultas mensais ou conforme orientação veterinária.


Estágio 4 — Azotemia grave

Creatinina: > 5,0 mg/dL | SDMA: > 38 µg/dL. Uremia grave, anemia intensa e possíveis sinais neurológicos. O foco do tratamento é o suporte clínico e a qualidade de vida. O veterinário vai orientar sobre o manejo e conforto do animal.



Tratamento da Doença Renal Crônica em Gatos

Não existe cura para a DRC, mas o tratamento adequado pode retardar significativamente a progressão e manter a qualidade de vida por anos. O protocolo é sempre individualizado conforme o estágio IRIS e as condições específicas de cada gato.


Dieta renal terapêutica

A dieta é o pilar do tratamento. Rações renais específicas possuem: baixo teor de fósforo (fundamental para retardar a progressão); proteínas de alta qualidade e quantidade controlada; ácidos graxos ômega-3 (ação anti-inflamatória renal); e baixo teor de sódio (controle da pressão arterial). As marcas mais utilizadas são Hill's Prescription Diet k/d, Royal Canin Renal e Purina Pro Plan NF.


Hidratação e fluidoterapia

  • Ofereça sempre água fresca e limpa em múltiplos pontos da casa

  • Inclua alimento úmido (sachê ou lata) na dieta — aumenta significativamente a ingestão hídrica

  • Considere uma fonte de água corrente (pet fountain) — gatos têm preferência natural por água em movimento

  • Fluidoterapia subcutânea domiciliar: em estágios 3 e 4, o tutor pode ser treinado para aplicar soro em casa


Controle da hipertensão arterial

  • Amlodipina é o medicamento de escolha para gatos hipertensos — eficaz e com poucos efeitos colaterais em felinos

  • A pressão arterial deve ser monitorada em cada consulta de acompanhamento


Redução da proteinúria

Benazepril ou enalapril (inibidores da ECA) são usados para reduzir a perda de proteína pela urina, protegendo o glomérulo renal e retardando a progressão da doença.


Tratamento das complicações

  • Hiperfosfatemia: quelantes de fósforo orais (carbonato de cálcio ou sevelâmer) quando a dieta renal não é suficiente

  • Anemia: suplementação de ferro ou eritropoetina recombinante em casos avançados

  • Vômitos e náuseas: antieméticos como maropitant e protetores gástricos como omeprazol

  • Suplementação: vitaminas do complexo B e antioxidantes para suporte metabólico



Como Incentivar Seu Gato a Beber Mais Água

  • Instale uma fonte de água corrente (pet fountain) — gatos têm instinto de preferir água em movimento

  • Distribua várias tigelas em diferentes cômodos da casa

  • Use tigelas rasas de cerâmica ou vidro — muitos gatos evitam o plástico

  • Inclua alimento úmido (sachê) em pelo menos uma refeição diária

  • Adicione um fio de caldo de frango caseiro sem sal e sem tempero à água do gato


Prognóstico: Quanto Tempo um Gato com DRC Pode Viver?

A expectativa de vida varia conforme o estágio no diagnóstico e a adesão ao tratamento. Gatos diagnosticados nos estágios 1 e 2 podem viver anos com boa qualidade de vida. No estágio 3, a mediana de sobrevida é de 1 a 2 anos com acompanhamento adequado. No estágio 4, o prognóstico é mais reservado — semanas a meses — com foco no conforto e qualidade de vida do animal.


O mais importante é não faltar às consultas de retorno. Com monitoramento frequente e ajustes no tratamento conforme a evolução, é possível proporcionar ao seu gato muito mais tempo e bem-estar.



Como Prevenir a Doença Renal Crônica em Gatos

  • Checkups veterinários anuais para gatos de 1 a 7 anos, e semestrais a partir dos 7 anos

  • Solicite exames de sangue e urina preventivos — especialmente SDMA para detecção precoce

  • Ofereça dieta de qualidade com hidratação adequada desde filhote

  • Nunca administre medicamentos humanos sem orientação veterinária — ibuprofeno e paracetamol são altamente tóxicos para gatos

  • Mantenha o gato longe de plantas tóxicas, especialmente lírios — extremamente nefrotóxicos para felinos

  • Trate infecções urinárias imediatamente ao identificar os primeiros sinais

  • Controle o peso do gato — a obesidade sobrecarrega os rins a longo prazo



Quando Procurar o Veterinário com Urgência?

Alguns sinais indicam deterioração rápida da função renal e exigem atendimento veterinário imediato:

  • Vômitos incontroláveis ou recusa total de alimento por mais de 24 horas

  • Convulsões ou desorientação

  • Cegueira súbita — pode ser causada por hipertensão severa com descolamento de retina

  • Dificuldade respiratória ou respiração acelerada

  • Colapso, fraqueza extrema ou incapacidade de se levantar



Perguntas Frequentes sobre Doença Renal Crônica em Gatos

A doença renal crônica em gatos tem cura?

Não. A DRC é irreversível, pois os danos aos rins não se regeneram. No entanto, com tratamento adequado e acompanhamento veterinário regular, é possível retardar a progressão e manter o gato com boa qualidade de vida por anos.


Gato com DRC pode comer ração comum?

Não é recomendado. Rações convencionais têm teor de fósforo e proteínas inadequado para rins comprometidos. O veterinário vai indicar uma dieta renal terapêutica específica, formulada para reduzir a carga sobre os rins sem causar desnutrição.


Com que frequência devo levar meu gato ao veterinário com DRC?

Depende do estágio. Nos estágios 1 e 2, consultas a cada 3 a 6 meses são suficientes. Nos estágios 3 e 4, o acompanhamento pode ser mensal ou mais frequente, com exames regulares de sangue, urina e pressão arterial.


Meu gato pode ter DRC sem mostrar sintomas?

Sim. Nos estágios iniciais, a DRC frequentemente não causa sintomas visíveis — os rins compensam a perda de função. Por isso, exames preventivos regulares são indispensáveis para gatos acima de 7 anos, mesmo aqueles aparentemente saudáveis.


É possível fazer fluidoterapia em casa?

Sim. Em estágios avançados da DRC, o veterinário pode treinar o tutor para aplicar fluidos subcutâneos (soro fisiológico) em casa. O procedimento é simples, seguro quando bem orientado, e ajuda a manter a hidratação do gato — fator essencial para retardar a progressão da doença.


Serviços Relacionados na MedCani em Taubaté

Se você mora em Taubaté ou região e seu gato apresenta algum dos sintomas descritos neste artigo, não espere. Na MedCani, realizamos consultas clínicas, exames de sangue completos com SDMA, urinálise, ultrassonografia renal e acompanhamento de gatos com doença renal crônica em todas as fases. Quanto mais cedo o diagnóstico, mais tempo e qualidade de vida podemos oferecer ao seu felino.

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